O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça foi fundado em 1153 pelo Rei D. Afonso Henriques — o primeiro rei de Portugal — em ação de graças pela conquista de Santarém aos mouros em 1147. Doou as terras de Alcobaça à ordem cisterciense de Bernardo de Claraval, que iniciou a construção de uma nova abadia austera em 1178. A igreja foi sagrada em 1252. Durante os seis séculos seguintes, Alcobaça foi a mais poderosa casa religiosa de Portugal, controlando vastos domínios agrícolas por toda a Estremadura.
Arquitetonicamente, Alcobaça é a expressão mais pura do gótico cisterciense na Península Ibérica. A igreja — com 106 metros de comprimento, a mais longa de Portugal — segue rigorosamente o modelo estabelecido pela ordem: alta, estreita, despojada, com a luz controlada por janelas de clerestório em vez de vitrais, e ausência total de escultura figurativa na nave. As abadias cistercienses foram concebidas para a contemplação na austeridade. O Claustro do Silêncio — acrescentado sob o reinado de D. Dinis em 1308 — é uma das grandes obras da arquitetura medieval portuguesa.
O elemento mais visitado da abadia é o par de túmulos reais no transepto: o Rei D. Pedro I, que faleceu em 1367, e Inês de Castro, a sua amada galega cujo assassinato por ordem da corte em 1355 desencadeou a crise dinástica do final do século XIV. Após a sua ascensão ao trono, D. Pedro mandou exumar Inês, coroá-la postumamente e colocá-la neste par de túmulos esculpidos em pedra calcária, pés com pés, para que no Dia do Juízo Final, quando os mortos ressuscitarem, sejam o primeiro rosto que cada um veja. A UNESCO inscreveu o mosteiro como Património Mundial em 1989.